
Tenho andado com ela..
Tão juntos que parecemos um só
Em todo o momento
Em todo o lugar
De dia sob o sol
De noite sob o luar
Tenho andado com ela.
Às vezes ao entrar numa mata fechada
Tenho a impressão que a perdi e,
Enquanto afasto as barbas-de-pau de minhas próprias “barbas-de-fios”,
Sem ter um rumo certo,
A única certeza é de que,
Quando meus olhos encontrarem novamente o horizonte
Ela estará lá ao meu lado.
Olhando comigo,
Para mim.
À noite um oceano de estrelas aflora o meu céu...
Não, não o meu céu,
O nosso céu, o céu meu e dela.
Oh, quão trasbordante é o céu
Que oceano estelar... E,
Numa noite de lua cheia
Serei eu; Um velho ou novo lobo do mar
E ela?
Quem sabe, uma sereia...
Quem é ela? Oh, bem o sei...
Pois não anda sempre comigo?
De mãos dadas?
Sempre aliada,
Cúmplice e confidente
Amante e amada
E, ao mesmo tempo
Aquela que mantém o dedo no gatilho de nossas vidas.
De minha vida!
Pois ela, com certeza, sobreviverá a mim.
Tenho andado com ela...
Não tão intensamente como agora.
Por que quando a encaro desvio o solhos?
Por que perco o jeito?
Será ela tão tão assim?
Ou será que a minha pele é que é muito fina
E assim ela me olha e me domina?
Tenho andado com ela...
Nas manhãs frias
Nas tardes quentes
E nas noites mornas.
Não tanto nos dias cheios
Mas muito nos dias vazios.
Quando há muita gente por aqui parece que ela me evita
Ninguém a vê.
Nem mesmo eu.
Paulo Ricardo Salcides
2 comentários:
No entender, a vida pode andar tão junta e responder pergunta tão representativa...
Tenho andado com ela...
Não tão intensamente como agora.
Por que quando a encaro desvio o solhos?
Por que perco o jeito?
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