Suas Frases

"O homem é um ser que está contido no mundo, mas ao mesmo tempo contém o mundo dentro de si."

"Saudade é olhar para trás
Viver é olhar para os lados
Esperança é olhar para frente
Sofrimento é olhar para baixo
Fé é olhar para o alto
Paixão é olhar e nada ver
E amar é, não precisar olhar.
Pois o amor basta-se a si mesmo."

"Aquele que escolhe a sua personalidade como escolhe as suas roupas,
a sua moral varia de acordo com seus trajes.
Ora, seria melhor que ele andasse nu,
somente assim não seria tão falso."

"No alto de uma montanha eu via,
de um lado um deserto árido, com alguns cactos e abutres pousados sobre eles,
e do outro um córrego de águas transparinas que era conseqüência natural de uma linda flora.
Aprendi nesse dia quer podia escolher em que direção lançar meu olhar.
Passei a ser mais feliz e os meus olhos aprenderam a sorrir."

"Não sei realmente se sou um homem que sonha ser uma borboleta,
ou se sou uma borboleta que sonha se um homem.
Mas, que bom, em ambos os casos borboleta e homem co-existem.
Devo ainda me preocupar?"

-Paulo Ricardo Salcides

PESSIMISMO

Enquanto o mar vai corroendo a terra, um enxame de abelhas assassinas se aproxima vindas do oriente Africano. A poluição aumenta fazendo com que a camada de ozônio, protetora da terra, se dissolva... Estou aqui. Sentado sobre uma pedra...
Por outro lado, as montanhas de gelo do sul e do norte, podem estar nos lançando imensos blocos de gelos derretidos e assim inundando cidades costeiras, isto se a terra não colidir com outro astro num cruzamento interestelar mal sinalizado... E eu estou aqui. Sentado sobre uma pedra, vendo pilhas e pilhas de bombas nucleares se juntando a minha volta. Logicamente que não são para repelirem os prováveis invasores do espaço, pois eles já estão aqui, e muito bem camuflados. Isso se o sol, que não é de ferro, mas sim de fogo, não se apagar.
E eu, sentado nesta pedra fria, olho a minha volta e percebo o mar devorando a terra, as abelhas assassinas se aproximarem, o ozônio acabando, o gelo derretendo, um astro se aproximando em rota de colisão, bombas que podem me matar mil vezes se empilhando a minha volta, Os alienígenas já presentes e prontos para tomar conta de tudo sem contar com a possibilidade, remota, mas assim mesmo viável... D o sol se apagar.
E eu percebo, Neste momento de pura compreensão e claríssimo desespero, Sentado nesta pedra... Que estou pegando um resfriado.

Paulo Ricardo Salcides

A viagem

Minhas roupas não eram o que eu era. Fiz-me nu e segui um caminho desconhecido que me atraia como um imã. Encontrei e tive desencontros. Mas não parei de andar. E mesmo quando parava de andar minha mente seguia. Eu tinha a necessidade de continuar sempre. Mesmo dormindo meu espírito continuava a eterna procura. Mas o que eu procurava? Até então só importava continuar viajando. Olhando arquejante para todos os lados. Procurava não procurar e sim em errar. A viagem era a única coisa que importava. Vivia armazenando experiências e aprendizados. O conhecimento vinha disso. E era maravilho crescer viajando. Era maravilhoso ser um navegante da vida. Absorvendo-a e respirando seu hálito. Quanto tempo viajei? Talvez toda a eternidade de minha existência. Hoje, esperando por uma viagem que sei não demorar muito, penso como foi o meu navegar, o meu errar, enfim, o meu voar. Percebi então que a vida toda procurei algo que procurando, sempre tive. Algo que todos perseguem, mas de tanto perseguirem acabam sendo vitimas de sua própria perseguição. Buscar. Buscar. E buscar novamente. Você desce um rio procurando navegar e com isso não tem muito tempo para apreciar a paisagem. E quando você menos espera chegou ao mar. Meu barco sempre desceu a correnteza sem remos. Quem vai me condenar por isso? Sobrevivi e sempre tive olhos para apreciar a minha viagem. Eu era o dono de minha nau como todos são. Desci rio abaixo, me deixando levar e com isso conquistei aquilo que todos buscam. Na verdade não conquistei. Sempre a tive. Sabem como é o nome da mulher que amo? Sabem quem vai me acompanhar numa nova aventura que sinto se aproximar? ELA, minha amada LIBERDADE...

(dos textos sobre liberdade)


Paulo Ricardo Salcides

A eterna procura

É um instinto maluco
Que me leva até ti
E persiste comigo
Até eu não mais existir.

Mas mesmo te procurando no espaço
Num acalanto brutal
Quando encontrada irei te amar
No mais profundo astral.

E quando, arquejante,
Voce me invocar
Querubins e salamandras
Irão se apaixonar.

Pois toda a procura pela liberdade
Pura, inocente, como queira.
É como um figo maduro
Transbordante na figueira.

E nada pode apagar
Ou poder algum destruir
E nem o vento levar
Ou a agua diluir.

Pois sendo energia
A liberdade é forte como os ventos
E sempre vai ser procurada
Até o emanar dos tempos.

Paulo Ricardo Salcides

O Condenado

     Naquela cela ele se petrificava a cada dia que passava. Deixava de ser vivo cada vez que pensava no mundo lá fora tão cheio de liberdade e na cela tão morta. Cela tipo caixão de defunto com um mofo tipo piramidal e ele morto, no caixão. Tão estranho ele se sentia... Lembrou-se das férias em Belgrado e da velha gorda que foi sua vizinha durante doze anos. Doze gordos anos. E agora ele estava magro. E agora ele estava morto. Vivia morrendo.
     Cama de pedra, comida de porco. Pena que nem porco mais ele se sentia. Ele era de pedra como a cama. Haviam se juntado já fazia muito tempo. Era ele e ela. Ela e ele. Os dois e a cela. A cela e os dois. O grupo e o depois. Depois de amanhã! Depois de amanhã! E assim passaram-se 43 anos. Depois de amanhã eu morro ou vem alguém em meu socorro. A cela a prisão e o morro. Qualquer dia eu morro. 
     Acordou-se de repente como se tivesse sonhado. Sonhado com a liberdade já conhecida e há tanto perdida... Sonhou com um sonho quadrado de quatro paredes e muitas chaves. Percebia pessoas, mas não as reconhecia. Ouvia palavras ao longe, tentava indagar e a voz sumia. Os lábios não mexiam. Só sentia o pulsar do coração assustado. Assustado como um veado. Um veado perseguido por dezenas de cães, cavalos e homens cruéis. Assustado como uma pessoa assustada. Extremamente apavorado. E o seu irmão que morava em Belgrado? E a vizinha gorda que morava ao lado? Extremamente apavorado. Era esse o resultado. O resultado de procurar a liberdade por quarenta e três anos de total solidão. Vivia sofrendo. Vivia morrendo. Estava tão confuso... 
     Só havia uma coisa que não havia morrido ainda; Sua busca pela liberdade... Ele a buscava de todas as formas possíveis. Em sonhos, desejos, orações, promessas... Tantas formas usava que sobrevivia na esperança de atingi-las. Descobriu isso quando, depois de quarenta e três anos, lembrou-se dos toques e carícias da sua velha e gorda amiga do lado. Compreendeu que embora a vida se manifeste somente a sua volta, havia um dia provindo de suas próprias entranhas as quais jamais retornaria. Compreendeu num único instante de magia e mélica beleza, que a liberdade que buscava sempre esteve dentro dele...
     A sentinela da janela. Ao lado do condenado. Torturado por Belgrado. Pirado!
Ano novo.
Novo governo
Governo clemente
Clemente anistia...
O preso está solto. A cela está vazia
Viagem.
Belgrado.
Vizinha morta.
Indignação e morte.
     Morte sobre alguém que já, há quarenta e três anos, Havia morrido. E sem perceber, já havia conquistado a sua liberdade...

Paulo Ricardo Salcides
& Belkis S S Salcides

Se você for chorar

O dia nasce e é assim. O dia corre e é assim. O dia morre e é assim. Por tantas vezes passei por isso que parece que meu nome é eternidade. Pretensão? Não, antes sentimento. Sempre fui assim. Cai à noite e a lua me deseja. Eu preciso te encontrar. Forma mais especial das formas. Amo-te e mentiria se falasse que não te conheço. Já te conheço há tanto tempo. Ainda não te possuo, mas te conheço.
Se você for chorar lembre-se que é muito amada. Que muitos te desejam sem ao menos perceberem. Que muitos morreram por você. Que existem os que nem nasceram ainda, mas com certeza vão te procurar. Que voce é a mulher mais importante que se tem notícia. Que sem você nada tem sentido. Que se você for chorar, sei lá porque, toda a humanidade vai ficar triste. Dizem que você é única. Não sei o que pensar sobre isso, mas de uma coisa eu sei. Você nunca esteve sozinha. E nunca vai estar. Mundos vão nascer e morrer e você, com certeza, sobreviverá.
Se, um dia, você for chorar se lembre de quantos já choraram por você. De quantos filhos você já teve. De quantos amantes você conquistou e de quantos não te possuíram. Pense bem antes de chorar. Você sabe como fazer qualquer pessoa ser feliz, por isso nunca chore. Sorria sempre meu amor. Você nunca deve esquecer que te conheço muito bem. E que estou morrendo de saudade de você.
Se você for chorar, saiba que vou chorar também. Mas você sabe como me fazer feliz. As nuvens, o vento, a terra, o mar e até mesmo o espaço, são tua casa. Você é grande demais e assim mesmo tão perseguida. Mas por estar em todos os lugares, na mais sombria masmorra até a praia mais mélica do planeta, você se tornou forte. Por isso nunca chore. Mas se você for chorar me fale. Pois meu amor por você é terno e eterno, mas mesmo assim eu simplesmente irei embora. Pois o dia que você chorar, minha amada LIBERDADE, Sua irmã, a Esperança vai nos deixar para sempre.
Por isso, se você um dia for chorar, abra a gaveta onde guardaste esta carta que te escrevi. Leia e releia. Sem pressa. Sem nenhuma pressa. E reflita. É possível "tocar" este mundo sem você? Sem, pelo menos, sonhar com você? Pense meu amor...
(dos textos sobre liberdade)

Paulo Ricardo Salcides

Asas

Duas. Nunca três ou cinco. Sempre duas. Sempre irmanadas e companheiras. Sempre aliadas e cúmplices do vôo. Sempre sabendo que se uma falhar, acarretara na queda fatal. Asas... Não são elas os maiores convites a sonhar? A pensar? A voar? Asas são a maneira mais clara de demonstrar a liberdade. Não foi ela, a liberdade, que nos presenteou com o sonho de possuí-las? No âmago, liberdade não quer dizer ser alado? Poder irromper espaços. Sem importar com a direção? Liberdade é energia, e toda energia gera impulso. O homem tem o presente de poder direcionar este impulso. Mas a "amada" liberdade tem muito a ver com isso. Minhas asas já foram conquistadas. Só não sei voar ainda. Mas como qualquer mortal, nasci aprendendo e quero voar antes de morrer. Quem sabe eu consiga? E se não conseguir não importa. Já tenho asas, agora é aprender a voar...
Um dia imaginei o homem como "pégasus", o cavalo alado. Fiquei apavorado! Meu Deus! O homem já é tão perigoso, (não todos). Eles criam asas, imaginem se já nascessem com elas. Não sei aonde isso nos levaria, mas, com certeza, eu estaria muito mais preocupado... Asas nos levam a voar, mas também nos levam as alturas, que mal compreendida, nos leva a tombos mortais. Imaginar um sistema tão complexo como o nosso mundo com a liberdade é o sonho mais importante de que se tem notícia. É uma utopia, eu sei... Mas se todos pensassem em amor, carinho e doação, teríamos avançado um pouco. É complicado. Mas não vai ser sempre assim. Nunca deixamos de evoluir. Mesmo que muito devagar. A liberdade é o primeiro passo para palavras e sentimentos que sequer sonhamos. Mas que, com certeza, conheceremos.
Não tenho asas físicas, mas assim mesmo sempre me senti um ser alado. Meus pensamentos sempre me convidaram a voar. Nossa como voei... Voar é mais importante que navegar. As alturas são um atrevimento maior que o mar. Quem um dia teve a certeza de ter dois membros sem carne, com muitos ossos e cobertos de penas as costas? Os anjos só se tocam que são anjos quando o seu destino já esta definido... Somo todos homens livres! Temos o dom da liberdade em nossas asas mentais. O pensamento é a maior manifestação da liberdade que, quem quer que seja nos criou, nos deu. Voem criaturas aladas das alturas. Criaturas liberadas. Se atirem no precipício da imaginação e, acreditem, a liberdade de ser o que são os levaram as alturas.

(dos textos sobre liberdade)

Paulo Ricardo Salcides

Procurando

Quem busca encontra, enquanto quem espera é encontrado.

     Todos buscamos alguma coisa.  Amor, carinho, compreensão, sabedoria, paz, fraternidade, felicidade e é claro, liberdade. Mas o que é liberdade? Fazer o que se quiser? Isto me parece "libertinagem". Liberdade é poder ”errar” pelo planeta. Absorvendo tudo de especial que ele nos oferece. Liberdade é sonhar com o ir e vir sem fronteiras decretadas por pessoas que nasceram iguais a nós. Liberdade é não se preocupar com nada e ao mesmo tempo se preocupar com tudo. Liberdade é sonhar e sonhar. Mas o que é o sonho senão a busca pela Felicidade, Liberdade e Perfeição?   "FELIPE" é a palavra mágica. Não existe Felicidade completa sem liberdade e perfeição. Não existe Liberdade completa sem felicidade e perfeição. E o que é perfeito sem felicidade e liberdade?   Meus senhores... Buscamos o tempo todo à mesma coisa... De maneiras muito distintas, concordo. O importante é buscar, tentar achar, e nunca, nunca mesmo desistir... Não me preocupo por isso. Nascemos com o dom da procura... A liberdade é uma importante aliada... Juntos conseguiremos. Nossa procura nunca vai terminar, mas, estamos apenas começando...      

     A vida é feita de encontros e desencontros. Mas tem coisas que não depende disso.  Coisas muito instintivas nos carregam... Sermos felizes. Termos saúde. Termos orgulho, etc. Mas que bobagem... Perdemos o intuito. Até um passarinho nasce, cresce, se protege e tenta ser feliz, estendendo sua vida ao máximo...Não deveríamos fazer o mesmo?  Fazemos sim, de maneira egoísta e medíocre.  Só pensamos em poder. Pensar em nós mesmos é natural. Nunca poderemos dar o que não temos. Mas pensar em acumular é típico das pessoas insanas que acham que sua liberdade esta ligada a poder...

     Liberdade é estar voando com o vento. Liberdade é não é ter horário. Liberdade é comer quando tiver fome. É andar pelo planeta sem precisar de passaporte. È falar todas as línguas numa só.  Liberdade, em fim, è a própria vida...     

 

(dos textos sobre liberdade)      

 


Paulo Ricardo Salcides

Carta aberta à liberdade

Liberdade Absoluta

     Liberdade, tão conhecida e tão longe. Qual o tipo de liberdade que os homens buscam?  Como se houvessem muitos tipos... Não há nem poucos. Você especial porque é única. Você não é como o sol. Mesmo assim tem luz própria. Você não é como os ventos, pois eles emanaram de você. Os ventos são teus filhos. Você não é como a noite ou o dia. Você está sempre presente. O tempo não é você. Você é o tempo. Acaso voce não esteve sempre presente? O Tempo é teu escravo. Você não sabia?   Sim minha doce liberdade. De tão amada voce se fez poderosa. E de tão poderosa você se fez absoluta. Palavra forte? "Absoluta?" Algum ser deste planeta e até do universo pode sonhar com algo sem você ser presença ativa? Pode algum ser desejar algo sem que você não esteja envolvida diretamente? Você sabe a reposta. Não, nós dois sabemos... Eu te busco, mas só agora compreendi uma coisa... Você nos busca o tempo todo. Você não é de carne, mas pensa e age. Você é energia, com certeza, e sei onde você dorme. No coração de todos os seres vivos. Você dorme na alma das plantas. Você vive dentro do universo que deve viver em seu colo. Desculpe o jeito. Mas você tem sido uma busca constante. Já te encontrei e te perdi. Perdendo-te me encontrei e te achando me expus.  Complicado não?   Na verdade é tão simples...

     Descobri teu segredo.  Meu amor... Você não é nada sem nós. Seres da galáxia. Luzes confusas que buscam iluminar.Você é tão forte e tão carente... Não se preocupe. Quem entender estas palavras vai ter muita compreensão com você. Você sempre soube que nunca esteve sozinha, mas só agora percebo que sempre estive com você.

     A minha idade é calculada pelo nascimento. A sua deve ser calculada pela a primeira idéia que nasceu no todo. Você deve estar muito próxima de Deus. Mande um recado para Ele nesta carta. Foi a coisa mais importante que nos deu. Voce sempre será amada. E até a mais cruel das criaturas nada mais quer do que te possuir... Doce LIBERDADE!

 

(dos textos sobre liberdade)

 

Paulo Ricardo Salcides

Uma imagem

     Hoje tive uma imagem. Vi um soldado caindo sem saber porque. Na dor de seu tombo me perguntei o que leva uma pessoa a matar ou morrer sem na verdade saber porque... Coloquei-me no lugar dele e pouca coisa pude perceber. Pátria? Honra? Glória?  A satisfação do dever cumprido? Tudo isso, quem sabe?   Ou a falta de coragem de ser um covarde?

     O mundo, ou melhor, o mundo não tem nada a ver com isso. Mas nós homens temos tudo a ver. Falta covardia para se fugir da idéia da guerra.   Para mim só uma coisa justifica a mortandade geral. A LIBERDADE. Uma palavra de nove letras e que justifica tudo. Não é o poder. Nem à vontade de vencer. Nem a glória e muito menos todos eles somados. Ser livre é a mais pura poesia. O homem sempre enfrentou intempéries, mas sobreviveu. Com o tempo foi trocando valores. Hoje celular é mais importante que uma conversa na beirada de um fogo. Carro importado é mais importante que poder se errar pelo planeta sem fronteiras e documentos. Ter uma casa própria é mais importante que ter saúde. As pessoas estão se matando e não percebem... Perderam o senso coletivo do homem terra, nômade, lutador mais acima de tudo LIBERTO...

     Que tem liberdade hoje? Quem é escravo de ser poderoso ou quem é escravo de quem é poderoso?  Resposta: Nenhum deles. Liberdade sempre vai ser a maior procura do homem. Tenho uma certeza absoluta. Muitas formas, mas a procura é a mesma. O preso a quer. O solto a procura. O viajante a tem e não percebe. O tolo a procura, mas não a entende. O sábio acha que nunca vai tê-la. O ignorante esta mais perto dela do que ninguém. Os famosos jamais á conheceram.  As crianças nascem com ela e a perdem rapidamente. Os jovens á procuram a cada segundo e amadurecem rápido por causa disso. Os velhos pensam que logo vão encontra-la e cometem um equivoco. E os adultos, finalmente, não têm muito tempo para pensarem nela.

     Liberdade tão amada, tão procurada e tão pouco compreendida. Eu poderia perguntar onde voce está se não soubesse a resposta. Os homens te buscam o tempo todo nos mais variados lugares.  Na terra. No oceano. Abaixo da terra. Nas profundezas dos mares. Nas altas montanhas. Nos desertos. No frio dos pólos. No espaço e até em outros planetas.  Meu amor... E o tempo todo voce jaz no mais profundo do mais profundo lugar de nossa alma...

 


                                                  Paulo Ricardo Salcides

Lugares

     Perseguição? Busca alucinante? Ou quem sabe, talvez apenas o silêncio... Quem busca encontra. Enquanto quem espera é encontrado. Qual o mais importante? Procurar? Ser encontrado? O silêncio é dono de si próprio. Ele nada busca, se não a sua própria ausência. O silêncio se tem a si mesmo. O silêncio se pertence. O silêncio é dono ABSOLUTO de si mesmo... O silêncio ama. O silêncio não consegue fugir do dom mais natural do ser humano. O amor pelas coisas da alma. A alma é cheia de linhas, como uma teia de aranha. Conduzem a diferentes lugares que uma vez centralizados, conduzem ao mesmo cordão umbilical.
     Com certeza já amei. E anseio por isso dê novo. Amo todas as formas de vida. Hoje temos uma consciência muito maior que há anos atrás. Mas estamos destruindo a nossa casa por que nos achamos donos dela. Nossa casa é cheia (Meu Deus, e como) de cômodos. Há lugares para todos. A liberdade é uma faca de dois gumes... Nos absorve ao mesmo tempo em que nos convida a voar. Cruel na sua sabedoria. Implacável no seu sonho (a liberdade sonha?) de nos conduzir a um lugar melhor. Alguns já se perguntaram: Existe planeta mais desejado? Querido? Conhecido? E pronto para nós? Pessoas que saibam onde pisam e tenham a sabedoria para saber que é só almejar, com força, vontade e senso coletivo...
     Palavras, eu bem sei. Mas indo contra uma pessoa pacífica que se foi, para mim "o sonho continua". E ela, esta pessoa, queira onde estiver que esteja, sabe... Não estamos sozinhos... Nossa busca pela liberdade vai continuar. Vamos continuar nos manifestando. Vamos continuar a dizer NÃO à intransigência. Vamos lutar, pacificamente, pelo direito de ir e vir. Pelo direito da livre manifestação. Pelo direito de chorar quando sentirmos dor. Pelo direito de sorrirmos. Pelo direito de termos direitos. Pelo direito de podermos sonhar com um mundo mais livre... Tão grande e tão mal distribuído. É impossível conter minhas lágrimas... Tão simples e ao mesmo tempo tão complicado... Senhores do planeta, vocês não percebem que não são imortais? Não percebem a mais pura lógica? São escravos de seus próprios atos! E quando morrerem não vão ter conhecido a coisa mais maravilhosa que existe...

“Uma borboleta voava pelo ar, tamanha sua ansiedade.
Nada buscava, pois nascera e vivera,
Com a tão almejada, LIBERDADE!”

Paulo Ricardo Salcides

Liberdade

Voe!     Somos, por venturas semelhantes ao vento? Este poeta louco, sempre embriagado, cantando incansável o seu canto de libertação? O vento é senhor de si mesmo porque nada possui. E para se ser livre é preciso nada possuir, nem mesmo a consciência de si mesmo. Somos cativos daquilo e daqueles que cativamos. Cativar, no entanto, não é subjugar, sobrepor ou obter. Cativar é antes, pertencer.
     O homem é um ser que já nasce acorrentado por cadeias naturais, pois é o centro de todas as coisas. O que gira em torno de si ocorre e sucede em função dele mesmo. E ele, por vezes, é escravo de seus atos atuados em função daquilo que o rodeia. Por vezes, criando está destruindo assim como destruindo está criando. Está contido no mundo e contém o mundo dentro de si.
     Há dentro de nós um pássaro migrador buscando incansável novo horizonte. Nossa evolução, no entanto, faz com que sejamos uma incessante mutação. Meu pássaro já viu muita tristeza e dor. Mas chegará o dia em que avistaremos a alegria e o amor. Então, e tão somente então, juntos pousaremos neste vale para sempre.
     Amarei estar neste bom lugar. Mas faltarão duas coisas para sua perfeição... Liberdade e libertação... Duas palavras que não provêem do mesmo útero. Libertação é acorrentar-se de bom grado a consciência de nossas obrigações. E liberdade, oh, como descrevê-la? Liberdade é lutar por uma estrela e com ela fazer o nosso céu. Uma estrela, que por estar tão longe pode ser um ideal a ser atingido. Libertação, no entanto, é uma arma de dois gumes: Se bem concebida nos eleva. Do contrário, é a mais cruel das prisões.

(dos textos sobre liberdade)

Paulo Ricardo Salcides

Minha busca terna e eterna

por que esta sede de te encontrar?
     Um dia, não sei se sonhei com você ou você já era uma idéia. Mas aconteceu. Procurando acabei achando um caminho... Um caminho que me conduzia... À você. Mas a pergunta continuava. Quem você era e por que esta sede de te encontrar?
O caminho se alargava a cada passo. Não literalmente, mas de uma maneira mágica. Meus pés pareciam ser o meu cérebro. Minha cabeça era conduzida pelo meu andar. Quanto tempo andei? Jamais saberei a resposta, pois perdi a noção do tempo errando pelos verdes caminhos do planeta.
     No meu errar muitas coisas encontrei... Perdi algumas, é verdade, mas foram mais conquistas que perdas. Minha busca nunca terminou. Ela segue soberana e implacável. Ditadora de minha humilde vida. Minha busca é a da mãe que procura o filho perdido. Do marinheiro Que tenta afastar a tempestade. Do sedento que busca uma fonte. Do derrotado que anseia com todas as forças a vitória tão sonhada. Enfim, minha busca se concentra num encontro. Qual o encontro?
     É cedo ainda para falar de encontros num mundo tão desencontrado. Talvez eu só procure a mim mesmo. Quantos, neste exato momento, não estão fazendo o mesmo? Conscientes ou não? Eu procuro ou busco, sei lá. Mas eu tenho certeza que não estou de acordo com o que acontece. Os animais estão sendo instintos e levando com eles a única coisa que sempre tiveram e sempre vão ter, até a última espécie. E nós, que estivemos tão perto, Só experimentamos seu gosto. LIBERDADE!


(dos textos sobre liberdade)

Paulo Ricardo Salcides

Caminhos verdes

Qual a cor do seu caminho?     C ores são um prodígio da natureza. Nem todos os seres vivos as percebem e com certeza existem coisas que superam as cores e que nós, homens, ainda não percebemos. Mas há uma coisa que todos, homens, animais enfim, todos os seres buscam. A Liberdade de serem o que são e terem seu espaço. Se Deus tivesse um sinônimo eu me atreveria a dizer que, na sua infinita sabedoria, seria "LIBERDADE".
     Todos percorremos caminhos durante a vida toda. Mesmo quando enfermos viajamos. Quem já se perguntou alguma vez a cor do seu caminho? As cores de seus caminhos? As cores de seus amores e desamores? Eu sempre me perguntei o motivo de minhas tristezas e alegrias e as respostas nunca me surpreenderam. Talvez porque sempre as questionei. Mas hoje sei a cor de meus caminhos. Os caminhos que divergem, mas me levam ao mesmo lugar final.

     Meus caminhos buscam a mesma coisa. A LIBERDADE. Com todas as suas manifestações. Amar sem limites. Andar pelo planeta sem passaporte. Ter os mesmos direitos dos senhores, e isso ser verdade. Gastar-se mais dinheiro com cultura e NADA com armas. Amar e amar. Sonhar com não mais sonhar, pois o sonho se tornou numa realidade. Confraternização. Achar o seu caminho desde que voce não esteja sozinho nele. Procurar, mas ao mesmo tempo estar procurando ser encontrado. E se voce encontrar a cor do seu caminho, por favor, me avise.

     O meu caminho é verde e encontrei uma jovem nascida lótus. Dei o nome de meu filho ainda vindouro para ela. Seu Nome? LIBERDADE.

(dos textos sobre liberdade)

Paulo Ricardo Salcides

Ela

tenho andado...
Tenho andado com ela..
Tão juntos que parecemos um só
Em todo o momento
Em todo o lugar
De dia sob o sol
De noite sob o luar
Tenho andado com ela.

Às vezes ao entrar numa mata fechada
Tenho a impressão que a perdi e,
Enquanto afasto as barbas-de-pau de minhas próprias “barbas-de-fios”,
Sem ter um rumo certo,
A única certeza é de que,
Quando meus olhos encontrarem novamente o horizonte
Ela estará lá ao meu lado.
Olhando comigo,
Para mim.

À noite um oceano de estrelas aflora o meu céu...
Não, não o meu céu,
O nosso céu, o céu meu e dela.
Oh, quão trasbordante é o céu
Que oceano estelar... E,
Numa noite de lua cheia
Serei eu; Um velho ou novo lobo do mar
E ela?
Quem sabe, uma sereia...

Quem é ela? Oh, bem o sei...
Pois não anda sempre comigo?
De mãos dadas?
Sempre aliada,
Cúmplice e confidente
Amante e amada
E, ao mesmo tempo
Aquela que mantém o dedo no gatilho de nossas vidas.
De minha vida!
Pois ela, com certeza, sobreviverá a mim.

Tenho andado com ela...
Não tão intensamente como agora.
Por que quando a encaro desvio o solhos?
Por que perco o jeito?
Será ela tão tão assim?
Ou será que a minha pele é que é muito fina
E assim ela me olha e me domina?

Tenho andado com ela...
Nas manhãs frias
Nas tardes quentes
E nas noites mornas.
Não tanto nos dias cheios
Mas muito nos dias vazios.
Quando há muita gente por aqui parece que ela me evita
Ninguém a vê.
Nem mesmo eu.

Paulo Ricardo Salcides

Para Elas

que meus frutos nunca esqueçam a árvore pai
O vento passa e atravessa as coxilhas
O pasto cresce para cumprir sua missão
Engorda os bois, vacas e novilhas
E enche de um lindo verde o meu chão.

E que os pássaros cantem, mesmo sem ter motivo
E que emigrem procurando o verão
Mas que nunca se esqueçam de mim
E que assim retornem na próxima estação.

E que os peixes brinquem livres sob as águas
Que meus cães uivem sempre para o luar
Que meus amigos apareçam de vez em quando
E que uma campesina possa sempre me fartar.

Que as tempestades de inverno peguem leve
Que a árvore morta possa sempre nos aquecer
E que lá longe aquela mulher moça
Possa um dia deixar-me a esquecer.

Vê como a chuva cai sem pedir licença
Vê como o amor atinge a gente sem ter dó
Vê como parte deixando uma saudade imensa
Mesmo cercado a gente fica só!

Pode não ser bote de cobra o perigo
Pode não ser o coração o órgão vital
E esta falta que me faz um velho amigo
É como um raio que quando chega é mortal.

E que as lembranças sigam soltas pela noite
Me tragam sonhos que um dia eu vivi.
E que a vida me ensine a morte
P’ra morte comigo não mais se divertir.

Venha ver como tudo é tão simples
E de tão simples gera confusão
Como se o fato de se estar sozinho
Nos adorne com o manto solidão.

Veja que no fim nada se termina
Veja que um novo início há muito já começou
Veja que não há novidade sob o sol
E, apenas por curiosidade, descubra aonde vou!

E que meus frutos nunca esqueçam a árvore pai!

Paulo Ricardo Salcides
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